Tuesday, January 29, 2008

Caos


Acordou com um pulo da cama às 5:30 da manhã com despertador do celular berrando um daqueles toques horríveis no mais alto volume.
Não conseguiu dormir mais.
Tanto barulho na sua cabeça.
Tantos pensamentos ao mesmo tempo.
E a chuva... incansável e incessante... chegava a irritar.
Um mundo caótico e injusto.
De repente a vida havia ficado complicada de mais.
Tudo isso, ao mesmo tempo, lhe causava ânsia, enjôo, dor de barriga.
Como as pessoas podiam se acostumar a viver assim? Num lugar assim?
Como ela podia ter se acostumado?
Foi para a sala com uma manta e o travesseiro.
Ligou a TV.
As notícias sobre o trânsito, a chuva e acidentes cansaram seu corpo.
Vontade de não sair de casa hoje.
Realmente o barulho da chuva era irritante.
Sentia-se inútil e carregada de responsabilidades que não eram suas...
Um desalento tão grande.
Uma revolta interna sem voz, nem saída.
O barulho da sirene do carro de polícia que passou, ecoou dentro dela... como uma ressaca.
Num desespero momentâneo, levantou-se do sofá e decidiu começar seu dia, afinal de contas sapatos foram feitos para serem usados e ela precisava comprar um novo despertador... sem falta!

Wednesday, January 23, 2008

Férias



Férias de tudo.
Estava precisando.
Mudar de ares, de pensamento, de sapato.
Ver e sentir.
Respirar.
Dormir.
Não ter hora.
Viajar.
Ouvir músicas diferentes.
Atravessar riacho.
Subir em pedra.
Nadar em cachoeira e no mar.
Fazer as pazes comigo.
Ficar com meu amor.
Caminhar na chuva sem me importar.
Não usar o secador de cabelo.
Descansar meus pés.
(Foto: Meus pés na praia da Guarda do Embaú... tão cedo que até o sol estava preguiçoso - Dez/07)

Friday, December 21, 2007

Frase


Uma frase séria, mas que faz pensar...
Tem me feito pensar... todos os dias...

"Aquilo que não enfrentamos retorna como destino" (Jung)

Saturday, December 8, 2007

Da aurora até o luar


... música nova e linda de Marisa Monte... até parei o carro para ouvir...
Vale a pena!

Da Aurora Até o Luar
Marisa Monte
Composição: Arnaldo Antunes / Dadi Carvalho

Quando você for dormir
Não se esqueça de lembrar
Tudo que aconteceu
Da aurora até o luar

Olho de janela
Nuvem de algodão
Pele de flanela
Sopa de vulcão

Borda de caneca
Bola de papel
Ferro na boneca
Lágrima de mel

Toda noite lembra o que aconteceu de dia
Sonha para o sono vir

Quando você for dormir
Quando você se deitar
Deixa o pensamento ir
Sem ter nunca que voltar

Música vermelha
Pássaro de flor
Chuva sobre a telha
Beijo de vapor

Riso no escuro
Lua de beber
Voz detrás do muro
Medo de morrer

Toda noite cria o que acontecerá de dia
Para o novo dia vir

Wednesday, November 28, 2007

Perdizes


Os que conhecem o bairro de Perdizes em São Paulo sabem de suas descidas e subidas tão íngremes que cansam só de pensar. Uma amiga carioca do Leblon uma vez disse que Perdizes parece cidade do interior.

Não sei se concordo. No interior a vida é bem menos corrida do que essa nas ladeiras de Perdizes.

Dizem que antigamente existia uma fazenda cortada por um rio bem onde hoje existe a avenida Sumaré. Até hoje a gente consegue ver biquinhas d'água brotando em algum canto da Sumaré, que servem de refresco e de tanque de lavar roupa para muitos moradores de rua.

Hoje, prédios não param de surgir... mais atualmente até, só prédios de alto padrão... 4 suítes, 4 vagas na garagem, salas com varandas imensas... Carros, ônibus e muitos cachorros não param sossegados no sobe-desce das ladeiras...

Outro dia, num desses dias cinzas, típicos de São Paulo, fui surpreendida por uma tempestade de verão (em plena primavera!!!) bem quando eu subia a Monte Alegre.

Em questão de minutos a calçada virou uma cachoeira impossível de se andar.
Os carros estacionados, desviavam a água da enxurrada para a calçada e tudo virou um caos total.

O guarda-chuva de pouco adiantou.

Resolvi esperar melhorar o aguaceiro para pelo menos poder terminar minha caminhada até o trabalho. Foram-se 20 minutos nessa espera.

Como não tinha remédio a não ser esperar, fiquei lá embaixo do toldo da lanchonete olhando a bagunça toda.

Imaginei a antiga fazenda.
Árvores grandes.
Árvores pequenas.
Pastos sem fim.
Plantações de lavanda.
Pomar com frutas de todos os tipos.
Bichos.
Joaninhas.

Com a melhora da situação da calçada, segui até o trabalho... ensopada...
... mas de alma bem leve depois do banho de chuva e da minha viagem no tempo.

Friday, November 23, 2007


Com a sensibilidade à flor da pele, hoje vi uma cena que vai ficar para sempre marcada na minha lembrança.

O dia amanheceu frio... gelado.
Em pleno Novembro, não era isso que esperaria-se do clima.
Depois de dar a primeira aula do dia às oito da manhã da sexta-feira, resolvi ir até a padaria comprar um pãozinho com manteiga para matar a fome gigantesca por conta do café da manhã não tomado antes de sair correndo cedo de casa.

Do outro lado da rua, um casal.
A senhora carregava seu filho bem enroladinho em uma manta verde.
Geralmente, crianças, mães com bebês me chamam a atenção por sua beleza em si.
Mas esse casal com seu bebê foi diferente.
O pai, carregava a pequena bolsa da mulher e a abraçava com um dos braços.
Ela, de pele e o olhos claros, tinha um ar triste.

Os três entraram na padaria logo atrás de mim.
A padaria estava lotada.
Logo uma senhora ofereceu seu banco no balcão para a senhora com o bebê

Ela não aceitou.
Ao invés, encostada em uma pilastra, invisivel às pessoas apressadas que tomavam seu café no balcão, checava seu fiho constantemente em baixo do cobertorzinho.
E uma lágrima correu seu rosto.
O marido, de alguma forma a tentava consolar.

Que agonia.
O que haveria de ter acontecido?
Por que ela estava triste?
O que eu posso fazer para ajudar?
Ai, meu Deus!

Nesse turbilhão de pensamentos e sentimentos, peguei meu pedido e covardemente deixei a padaria.

Friday, November 16, 2007

Ciclos


Começou dia 14...
E neste próximo mês estarei fechando alguns ciclos na minha vida.
Dias doloridos.
Importantes.

Muitas vezes tendemos a nos apegar ao que perdemos.
Devo dizer, à idéia do que perdemos e todos os sentimentos envolvidos.
Sei lá porquê...

Talvez pela dificuldade de acreditar que passamos por tudo o que passamos...
... para tentar aceitar que tudo NÃO foi um sonho, embora muitas vezes gostaríamos que tivesse sido.
Ou até mesmo na inútil tentativa de entender nossa vida, nosso destino em nossa passagem por esse mundo de meu Deus.

Desapego.
Desapego do que se foi.
Oh coisa dificil!

Outro dia esse insight me invadiu como a sensação de um corpo caindo.
E de súbito, paz invadiu meu coração...

Meus passos agora serão em direção ao desapego.
Deixar ir o que se foi.
Não é fácil não.

O que vivi, carrego comigo.
O que senti, fica na alma.

E me prepara para o novo...