Friday, August 27, 2010

coisa dela


foi no caminho de volta que ela se viu novamente só
no andar de suas pernas
o que era esperado não veio

e percebeu que a solidão sempre fizera parte dela
de certa forma não se sentia triste por sentir a conhecida solidão
era lá que se guardava

ela tinha paz
tinha sim
dava pra ver em seus olhos

apesar da secura do ar
e do ceticismo do seu coração
havia paz

e a esperança
do encontro
de novo...

porque o caminho segue...

Tuesday, August 3, 2010

o que faria Amèlie?


o que faria Amèlie
se com seus olhos redondos e escuros como jabuticabas
observasse algumas coisas acontecendo
tecendo-se como teias em portais abandonados
coisas que não ousava falar em voz audivel
mas que seus pensamentos discursavam durante todo o dia?

o que faria Amèlie
se dentro de sua solidão
se sentisse mais só ainda
e de tão só
deixasse de acreditar nas pessoas?

o que faria Amèlie
se sentisse que em suas mãos está o destino
o destino do amor
da dor e de mais solidão ainda
em vez da massa de sua torta de ameixas?

o que faria Amèlie
se não mais encontrasse pedrinhas para ricochetear
criatividade para seus estratagemas
e o vento vazio batesse em seu coração
ecoando o amor que se foi?

e suas valsas, bem que poderiam ter o poder de me levar para um outro lugar...

Tuesday, July 13, 2010

... what's in a name?


foi a ventania que me acordou no meio da noite
dizendo que o sonho não era sonho
que sim, o nome que não me saía da cabeça
era real
estava ali
não havia como negar
o nome tinha sim um significado
um rosto
que doía meu estômago
que pesava minha cabeça
que a paz do sono
se fora
que a certeza de algumas coisas
não eram mais
o nome me dizia que
embora eu lutasse para não acreditar
a verdade eu já sabia
e meu rosto ardia como se houvesse sido estapeado
e a mente ainda buscava explicação racional
ou culpa minha

sim, já era o sonho
e daqui pra frente é incerteza
a ventania me chamou
trouxe a chuva...
sim, a chuva...
aquela chuva.

levanto
respiro o ar úmido
olho para trás e ele está ali
em lençóis brancos

ergo a cabeça
e vou-me
tentando silenciar o nome
com os afazeres do meu dia.

Friday, June 11, 2010

... o décimo primeiro ciclo...


minha vida tem ciclos de 3 anos.
foi num desses que me perdi.
quando a gente se perde, tenta fazer o caminho de volta até um ponto conhecido de onde se possa voltar a caminhar.

11 é o numero das pernas andando... andando novamente.
somados, 1 e 1 são dois.
numero de união... do fim da solidão.
é numero do dia em que nasci.
3 vezes 11 é a combinação do equilibrio com a caminhada.
números que dariam uma bela mandala...

estou voltando a um ponto conhecido antes de me perder.
quero seguir caminhando.

hoje, tive surpresa dos meus alunos queridos do 3. ano da FECAP com direito a bolo, parabéns, bombons de presente e velinha de 18!!!
teve almoço com o pai...
o passeio com o cachorro...
o encontro com os amigos...
as palavras, os desejos, as intenções...
a primeira estrela que apareceu...
tudo tudo feliz!

sim sim... meu décimo primeiro ciclo começa assim... abrindo portas... trazendo amor, saúde, paz...
e disso eu gosto muito!

Monday, June 7, 2010

o caminho de volta...

Como de surpresa percebi que ser feliz é questão de opção.

Não tão simples quanto parece, porém.

Há que se reunir todas as suas observações e apontamentos sobre a vida, sobre si e sobre seus relacionamentos e decidir-se...

Decidir deixar de fora as pessoas que usam de artificios para ficar perto das outras e fingem gostar de si mesmas e também de quem está por perto.

Decidir enxergar que ajuntamento de pessoas não significa amizade, pois se o fosse, a distância não impediria que continuassem juntas, e também não aconteceria que seus corações e ouvidos fossem enfeitiçados pelas artimanhas maldosas e amargas de terceiros que sentem prazer na intriga e na desunião. Não, um não bem forte e decidido para isso tudo.

Ser feliz é opção.

Decidir deixar ir... o amor... o tempo... a dor.
Foi tudo. Foi em paz.

Decidir não sofrer mais por aquele que se aninhou em seu ventre. E sentir-se feliz por te-lo amado.

Decidir (re)encontrar o caminho de casa... e da cachoeira... e do por-do-sol... e do abraço da amiga e do antigo e eterno amor.

Decidir sentir o vento frio no rosto e o sabor da chuva nos lábios... como o beijo de um bom presságio.

Ser feliz é opção... de agradecer pelo aroma da lavanda... o legado da avó... do pai... da mãe e a saudade presente da irmã...

Ser feliz é opção... de tentar fazer dar certo... de abrir uma nova porta e aceitar que seu destino é ser feliz.

Sim.

Eu decido... ser feliz.

(foto: por Dra. Tormenta em Lambari... meu caminho de volta - junho/2010)

Friday, May 14, 2010

talvez... simplesmente


Não há urgência.
Há inquietude.

Inquietude que cala.
Que arranha o coração a cada dia.
Que tira a voz e traz rouquidão.

Dificil saber o que é.
Certas coisas são tão óbvias que chegam a cegar.

Montanha-russa de sentimentos.
Não é o tempo que vai curar.
A morte talvez.

Talvez sair por aí sem rumo.
Talvez uma viagem interna.
Talvez a simples decisão de tentar ser feliz.

Sem medo.
Simplesmente.


She acts like summer and walks like rain
Reminds me that there's a time to change
Since the return of her stay on the moon
She listens like spring and she talks like June
(Train - Drops of Jupiter)

Wednesday, March 24, 2010

Meu silêncio


Não.

Não espere que eu lhe diga como eu me sinto e o que estou pensando.

Olhe nos meus olhos, minha alma lhe dirá.

As palavras saem de mim como um parto forçado, rasgando e arrancando pedaços.

Fazendo chorar.


Escute meu silêncio e leia meus gestos.

Não vou falar.


Não consigo.


Vou falar sobre amenidades, sobre o tempo e o trabalho.

Mas tudo tem um só sentido.

Você precisa saber interpretar.


Se não souber, posso te ensinar.

Meus símbolos são bonitos.

Mesmo os mais tristes.


Se você quiser posso te mostrar.

Mas por favor, não espere, não me espere falar.


Eu vou sentir.

Até chorar.


Na hora de rir, vou te procurar

Mas quem eu sou de verdade, o que sinto aqui dentro,

Me desculpe, não consigo te contar.


No meu silêncio sou inteira.

É só ler no meu olhar.